Bhangra no Brasil: no carnaval, Sao Paulo tocou samba ao som do Punjab

Crédito: Ademir Fheliz

Bloco Bollywood 2017

Carnaval no Brasil e o momento do ano quando fantasia e realidade se fundem. Chega Fevereiro, a atmosfera no país muda. Os rostos estão pintados, as pessoas se vestem  com cores caleidoscópicas, as ruas estão enfeitadas para o festival que marca o período antes do jejum cristão, a Quaresma. A celebração multicolorida ganhou um tempero adicional em São Paulo neste ano de 2017: o samba com o bhangra, escreve Shobhan Saxena, jornalista indiano radicado no Brasil, em uma matéria publicada pelo website Scroll em 1º de Março de 2017.

“Um grupo de bateristas brasileiros chega na Rua Augusta na manhã do dia 25 de fevereiro. A Augusta é uma rua icônica no coração da cidade. Quase todos ali reunidos vestem roupas indianas . Era o Bloco Bollywood, o primeiro e único carnaval da comunidade Indiana no Brasil.

Organizado pela primeira vez em 2016 pela comunidade Indiana de São Paulo, o bloco indiano reúne o estilo bhangra e dança de Bollywood. Neste ano, o bloco deu um passo à frente e ofereceu aos foliões uma fusão do bhangra punjabi com o samba brasileiro.

A bateria formada por alunos do instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), chamada Cherateria, aprendeu a tocar os taals do bhangra em menos de duas semanas.

A banda começa a tocar ritmo de samba enquanto os foliões acompanham com o pés. Acaba o aquecimento, os bateristas começam a tocar bhangra e todo o bloco move de um lado para o outro em estilo Punjabi, guiado por professoras de dança, brasileiras e indianas.

Com o Bloco descend a Rua Augusta na direção do Centro, mais gente vai se unindo à festa no meio do caminho. Apesar de estar ainda no seu segundo ano, o Bloco Bollywood parece ter chegado para ficar. Alguns dias antes da festa, organizadores, dançarinos e bateristas foram convidados a participar de um dos mais famosos programas da TV brasileira, o “Encontro com Fátima Bernardes”, da TV Globo.

São Paulo tem cerca de 500 blocos, cada um com seus músicos locais, com suas músicas específicas. Há blocos para todo tipo de público: crianças, idosos, gays e travestis.

Cidade cosmopolita que atrai muitos imigrantes, São Paulo tem blocos que refletem justamente esse caráter internacional. Tem bloco, por exemplo, organizado por refugiados que chegaram de países da Ásia e da África destruídos pela guerra. Com o Bloco Bollywood, os cerca de 3 mil indianos que vivem nesta cidade de 21 milhões de habitantes, marcaram o seu espaço. A cultura indiana é muito admirada no Brasil. No estado da Bahia, um dos maiores grupos carnavalescos é o Filhos de Gandhy, nomeado assim em homenagem a Mahatma Gandhi. Segundo a lenda, nos anos 40, com o carnaval em Salvador ( capital do estado da Bahia) sempre atingido por violência, algumas pessoas que já tinham ouvido falar de Gandhi formou um grupo para inspirado no pacifismo.

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