Cinquenta tons de azul

Dentro do bairro azul de Jodhur. Fotos: Florencia Costa

Do alto do forte medieval de Mehrangarh, que nasce de uma rocha de 125 metros de altura, no Deserto de Thar, uma paisagem azulada desafia a imaginação do turista. Afinal, porque tantas casas nessa cor? Bom, Jodhur também pode ser chamada de “Cidade Azul” justamente por isso. Segunda cidade do Rajastão (a principal é Jaipur, capital deste que é o maior estado da Índia, Jodhur foi fundada em 1459 por Rao Jodha, representante dos Rathore, uma casta guerreira nobre, e que reivindicam ser descendentes do mitológico príncipe Rama. A história que passou de geração a geração é de que os brâmanes costumavam pintar suas casas com essa cor, que ainda tinha a utilidade de afastar os mosquitos.

Veja aqui este vídeo sobre Jodhpur do canal do Youtube Theworldoftravel:

Hoje, com a história incluída em todos os guias turísticos de Jodhpur, que resulta em tours para ver as casas de perto nessa vila de Brahmapuri, muitos dos moradores, de várias castas, dessa localidade pintas suas casas com essa cor, geralmente na tonalidade turquesa.

Eu, quando estive lá, peguei um riquixá e me aventurei pela vila Brahmapuri. Fui convidada para tomar um chai na casa de uma moradora, conhecida do motorista que me levava, claro. É agradável a sensação de caminhar dentro de um vilarejo azul, uma cor que traz paz e tranquilidade.

Mas voltando ao Forte de Mehrangarh, um dos mais magníficos de toda a Índia, uma criação de “anjos e fadas”, como dizia o escritor Rudyard Kipling, abriga um complexo palaciano construído durante os séculos. O Phool Mahal, por exemplo, do século 18, é o recinto mais luxuoso lá dentro, onde se realizavam as audiências reais.

As casas azuis vists do alto da fortaleza de Jodhpur

O luxo sinaliza o passado de Jodhpur, uma cidade na rota das caravanas de comerciantes, e que lucrou muito com produtos como sândalo, ópium e cobre.

 Além da vista privilegiada da cidade, o forte abriga um magnifico museu, o melhor do estado do Rajastão, onde o visitante pode conhecer toda a história do lugar, com suas armas históricas, roupas e pinturas de miniaturas típicas dessa região da Índia.

O bazar da cidade velha, murada, é imperdível, bem perto da Torre do Relógio, construída em 1912, uma referência da cidade. Ali, disputam espaço vendedores de tecidos, produtos de couro de camelo, vegetais, frutas e especiarias, pulseiras e tudo o mais que você possa imaginar.

Menina da cidade de Jodhpur. Foto: Florencia Costa

Outra visita obrigatória é ao Palácio Umaid Bhavan, metade museu e metade hotel, o melhor exemplo de palácio luxuoso indiano do século 20, construído em 1929 no estilo rajput,  art dêco europeu e com pitadas de arquitetura jainista (dos comerciantes da religião jain, que construíram na região suas famosas havelis, ou mansões). O Umaid Bhavan foi desenhado por  Henry Lanchester , famoso arquiteto britânico do início do século 20 e demorou mais de 15 anos para ser completado.

Em um dos andares desse palácio-hotel, com seus mais de  300 quartos, vive hoje descendentes da ex-família real. Oficialmente não existem mais títulos de nobreza desde os anos 70, pois foram abolidos pelo Estado. A coleção de carros antigos da família é uma das atrações do palácio.

— Florência Costa

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