Como a meditação nos ajuda a encarar o futuro distópico: a lição de um dos maiores intelectuais de hoje

Credito: Pixabay

A cada ano,  Yuval Noah Harari passa várias semanas em um retiro de meditação, em silêncio absoluto, em vários lugares do mundo, mas especialmente na Índia. Ele faz isso há mais de 10 anos. Um dos maiores intelectuais públicos da atualidade, Harari é adepto da chamada meditação Vipassana, do Budismo. Além disso, o historiador da Universidade Hebraica de Jerusalém medita duas horas por dia.

Harari ganhou fama global com seu livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, publicado pela primeira vez em Israel em 2011. Depois, o livro ganhou o mundo e vendeu milhões de exemplares. Ele emendou com dois outros sucessos: “Homo Deus” e “21 lições para o século 21”, o primeiro sobre o presente e o segundo com foco no futuro próximo. Em uma matéria publicada na revista The New Yorker, em fevereiro deste ano, o autor Ian Parker relata como a distopia tecnológica que preocupa Harari pode ser, pelo menos parcialmente, encarada com o cultivo de uma maior atenção plena, justamente o foco da Vipassana.

Yuva Noa Harari. Credito: Wikipedia

Harari cita exemplos em seus livros de ameaças da Inteligência Artificial à nossa privacidade. Uma pesquisa recente sugere ser possível medir a pressão sanguínea de uma pessoa por meio de um vídeo de seu rosto. Um governo totalitário poderia usar isso para detectar, por exemplo, dissidentes: a pessoa pode ter o aumento de sua pressão sanguínea ao assistir um discurso de um político do qual não gosta.

As pessoas que forem capazes de se conhecerem melhor e de trabalhar suas mentes de forma profunda, segundo ele, terão mais chances de se proteger de governos ou corporações que tentam manipulá-las. O auto-conhecimento, e a serenidade resultante disso, são fundamentais.

Seu último livro, “21 lições para o século 21”, contém amplo comentário sobre a vida de Buda, explicando as três realidades fundamentais da vida: a de que tudo está em mudança constante; a de que nada tem uma essência durável; e a de que nada é completamente satisfatório, ou seja, o sofrimento é inevitável.

Harari fez um interessante relato sobre sua prática de meditação, em uma entrevista concedida à revista Cultura (publicada pela Livrara Cultura), em julho de 2018:

“… Pratico [meditação] há quase vinte anos. Vipassana é uma técnica baseada na percepção de que o fluxo da mente está intimamente ligado às sensações corporais. Entre mim e o mundo há sempre sensações corporais: eu não reajo aos eventos do mundo exterior, reajo às sensações que eles provocam no meu corpo. Quando a sensação é de-sagradável, sinto aversão. Se é agradável, desejo mais. Mesmo quando penso que estou reagindo a uma memória antiga de infância ou ao que alguém escreveu sobre mim no jornal, a verdade é que tudo se dá no meu corpo. Vipassana me treina a me concentrar no que está acontecendo dentro de mim, e não no mundo exterior, revelando assim os padrões básicos da minha mente. O sofrimento não é uma condição objetiva no mundo exterior, é uma reação gerada pela nossa mente…”.

— Equipe Beco da Índia

Leia a entrevista completa aqui

2 Comments em "Como a meditação nos ajuda a encarar o futuro distópico: a lição de um dos maiores intelectuais de hoje"

  1. Muito bom

  2. Maria de Lourdes Santi Silvano | 27 de abril de 2020 at 12:08 | Responder

    A leitura da obra Sapiens me proporcionou outra visão da História,e, consequentemente deve ter provocado em mim outra forma de ver o aqui e agora. Ainda estou deglutindo.

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*