Como o Vedanta ajuda a conquistar o equilíbrio interior e a paz: palestra do professor Jonas Masetti

Credito: Wikipedia

As causas do sofrimento, a importância de se conhecer, de entender o papel da nossa mente, as tradições indianas do aiurveda, do ioga, dos mantras. O leque de assuntos foi extenso na palestra online “O Ensino Tradicional de Vedanta nos Tempos Modernos, realizada na quinta-feira, 21 de Maio, promovida pelo Consulado-geral da Índia em São Paulo e pelo Centro Cultural Swami Vivekananda (CCSV).

O palestrante foi Jonas Masetti, responsável pelo Instituto Vishva Vidya de Vedanta, Sânscrito, Mantras e Cultura Védica, localizado em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Vedanta, como explicou Masetti, que estudou o assunto durante quatro anos na Índia –é o conhecimento milenar que vem daquele país e que ajuda as pessoas a encontrar a paz e o equilíbrio interior independente do mundo externo. Vishva Vidya quer dizer “conhecimento universal”, ou seja, é direcionado para todas as pessoas de qualquer religião, idade, cultura e nacionalidade.

Amit Mishra, consul-geral da Índia em São Paulo, explicou que essa foi a primeira vez que o consulado e o CCSV realiza um evento conjunto com a escola do professor Jonas Masetti. Mishra contou que visitou o instituto no ano passado. “Há três componentes muito importante do estudo da cultura indiana aqui no Brasil: Ioga, Aiurveda e Vedanta. No campo do Vedanta o professor Masetti está fazendo um trabalho maravilhoso em propagar esta filosofia no Brasil”, disse Amit Mishra.

Masetti começou o bate-papo explicando que a tradição védica é toda baseada nos Vedas, textos milenares da Índia que reúne um conjunto de conhecimento que vem sendo preservado até hoje através das pessoas. “Não é algo que está nos livros e você ouvir falar. As pessoas vivem essa tradição ainda hoje, ela está dentro dos hábitos e da cultura”, disse.

Os Vedas são muito vastos e contém diversos assuntos, como  astrologia, mantras, tantra, ioga, aiurveda. “Asanas, as posturas do Ioga, por exemplo, vem dessa mesma cultura chamada védica, desse mesmo conjunto chamado Vedas. A mesma tradição que aponta a astrologia, aponta também exercícios fisicos que conduzem à liberação emocional, à saúde do corpo, a uma vida mais equilibrada”, afirmou .

O Aiurveda, continuou ele,  que significa “conhecimento da vida”, é a parte dos Vedas que trata da medicina antiga. “É um trabalho de harmonização do que você come, do que você faz, do seu dia a dia, até da maneira como você fala e se comporta com as outras pessoas para promover saúde”, destacou.

Nos Vedas, explicou o professor, existe um chamado para uma evolução pessoal, para um despertar, para a superação do sofrimento. “Se a gente começa a analisar a origem, a causa do nosso sofrimento no nosso dia a dia, a gente vai perceber que esse sofrimento sempre passa por uma estrutura de auto-condenação. Esse sofrimento está vindo não devido à ação do lado de fora. Ele surge de uma condenação do lado de dentro”, explicou Masetti.

Masetti explicou que o estudo de Vedanta tem como objetivo ir direto ao ponto: a compreensão do sujeito, ou seja, aquilo que vai fazer diferença para a minha felicidade e para a compreensão daquilo que somos.

 “Existe uma incompatibilidade muito clara entre o  julgamento que nós fazemos de nós mesmos e o nosso desejo fundamental de sermos pessoas eternamente livres e felizes em todas as situações e lugares. E o sofrimento surge exatamente da diferença entre essas duas coisas. A mente não suporta ver do lado de fora um mundo dizendo pra mim que eu sou imperfeito e ao mesmo tempo do lado de dentro eu querendo viver uma liberdade plena. Esse conflito é o que causa sofrimento”, afirmou.

“A cada passo que dou nesse processo de análise interna, tentando entender o que é esse sujeito que está por detrás, eu vou liberando esse personagem das suas dores e das suas auto-condenações naturais. Esse processo,  que é como o desabrochar de uma flor, é o Vedanta. Nós nos libertamos de uma prisão que já carregávamos dentro de nós”, observou.

Segundo ele, O Brasil começa a ter uma presença interessante nessa tradição védica por ser uma país que já teve acesso a muitas religiões. “Por isso, temos uma mentalidade muito aberta. A gente consegue olhar além da roupa, além das marcas na testa, além da cor”, disse.

Ele explicou que a tradição védica não é uma religião em si. “Não faz nenhuma diferença se você reza para Cristo ou para Krishna. Essa é uma tradição de alunos, de pessoas que dedicam a vida delas a ajudar os outros. Não é uma tradição de fim de semana, é uma tradição que está viajando milhares de anos para chegar até aqui”, lembrou.No final da palestra, os alunos fizeram várias perguntas. “Quais são os benefícios que o estudo do Vedanta traz para a prática do Ioga?”, perguntou um dos ouvintes.

“O ioga é muito eficiente do ponto de vista físico, de saúde, e também libera questões emocionais que ficam presos nos músculos, nas juntas. Você sai da aula muito feliz e com uma sensação muito boa e esse é um terreno fértil para você depois plantar. Essa plantação são as obras da Vedanta. É a parte que muda os entendimentos sobre você mesma. Então é um complemento perfeito”, respondeu Masetti.

Outra pessoa perguntou se a felicidade é possível. “Ela é possivel. Mas eu faço outra pergunta: se ela não fosse possível, faria alguma diferença? Você ía parar de buscar a felicidade? Se ela é possível ou não a gente vai continuar buscando por ela. A menos que eu tenha dentro de mim a convicção de que vou conseguir, as portas não vão se abrir. Então a felicidade é possível sim”, concluiu.

— Equipe Beco da Índia

Veja aqui a palestra integral de Jonas Masetti:

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