Como os indianos celebram o amor e a primavera?

Holi 2919 da Associação Indiana de Sao Paulo. Credito: Lalit Atal

Todd é um americano que foi enviado para a Índia para treinar o seu substituto e outros funcionários na empresa de call center que foi tercerizada para  a Índia. Um belo dia ele sai na rua da cidade indiana onde ele está temporariamente. De camisa branca nova, todo arrumado, caminha para o escritório. Eis que o indiano da empresa responsável por acompanhá-lo e ajudá-lo surge na rua gritando: “Mr Todd, desculpa eu não o avisei para não sair hoje”. Tarde demais.

Todd toma um primeiro banho de pó vermelho na sua reluzente camisa. Em seguinda, uns meninos jogam pó azul no seu rosto. Todd não pensa duas vezes: começa a revidar com os pós que acha na rua. “Happy Holi”, sorri o seu ajudante. Todd (o ator Josh Hamilton) é o protagonista do ótimo filme “Despachado para a Índia” (“Outsourced”), de 2006.  Muitos estrangeiros na Índia tem essa experiência. Uns amam, ouros não. Mas o Holi, que nesse ano é comemorado no dia 9 de março, faz parte da cultura indiana e tem raízes seculares.

Veja aqui a cena do Holi no filme “Despachado para a Índia”:

O Holi, ou Festival das Cores, tem sua origem no campo: é a comemoração da chegada da primavera.  Por isso, às vezes é chamado de Festival da Primavera. Além de inspirar a esperança de uma boa colheita, celebrar a fertilidade, a prospreridade e a abundância, o Holi festeja as cores, o amor e o triunfo do bem sobre o mal. Quando é chamado de Festival das Cores é porque quer se ressaltar a representação da alegria da vida.

Holi 2019 da Associação Indiana de Sao Paulo.
Credito: Elza Cohen

Esse carnaval indiano também não tem data fixa: varia com o calendário hindu regido não somente pelo ciclo da Terra mas também pelo da Lua. O festival dura dois dias. No primeiro, é feita uma fogueira ao anoitecer  que simboliza o triunfo do bem sobre o mal. Chama-se esse primeiro dia de Holika Dahan, uma referência ao demônio Holika, que é destruído pelas chamas sagradas.

Holika é uma personagem da mitologia indiana e as origens do Holi pode ser encontrada em vários mitos, inclusive o do irmão dessa figura demoníaca, o rei Hirnayakashyap, que achava que todos deveriam revenrenciá-lo como um deus. Mas o próprio filho doRei, chamado Prahlada, se recusava a fazer isso porque preferia referencia o deus hindu Vishnu.

Assim, o rei e a irmã Holika planejaram matar o desobedienre Prahlada tentando queimá-lo numa fogueira. Mas adivinha quem acabou nas chamas? Holika. E assim, na noite anterior ao Holi, fogueiras são acesas para simbolizar a destruição de Holika e a vitória do bem.

Mas uma outra lenda frequenta e enriquece o Festival das Cores: o do amor entre Radha e a divindade Krishna (encarnação do deus Vishnu), sempre representado na cor azul. Segundo esse mito, o amor deles poderia ser prejudicado pela diferença na tonalidade de cores das peles dos dois. Krishna passa um pó colorido no rosto de Radha e os dois se casam.

Veja aqui um video de National Geographic:

Os pós espalhadas nos rostos e corpos no festival das Cores tem essa simbologia de celebrar o amor acima de qualquer outra diferença: todos se tornam igualmente coloridos.   Esse é o segundo dia do festival: o Rangwali Holi, quando todos se pintam com cores vibrantes nas ruas. Parece ser um momento em que a sociedade indiana _ com seus tabus e tradições tão arraigadas _ abre alas para esse verdadeiro trem das cores passar.

— Florência Costa

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