Conheça a comunidade indiana que defende com suas vidas as florestas e os animais desde o século 16

Bishnois - Os primeiros ambientalistas da Índia. Credito: Sify

No dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de junho por determinação da Organização das Nações Unidas (ONU), uma comunidade indiana conhecida pelo amor fervoroso à natureza e aos animais é sempre lembrada: a dos Bishnois, chamados lá de os guerreiros ambientais originais.

Os Bishnois estão entre os mais antigas comunidades ecológicas do mundo, que já se organizava pela conservação da biodiversidade e pela manutenção de uma vida social ecologicamente correta.  Essa comunidade vive em áreas dos estados do Rajastão, do Punjab, Haryana e Madhya Pradesh. 

O massacre de bishnois no século 18. Credito Klimanaturali

Na verdade é uma comunidade religiosa-ecológica. Eles pertencem a uma seita Hinduísta fundada pelo Guru Jambeshwar (1451-1536),  também conhecido como Jambhoji , que estabeleceu 29 preceitos. O termo Bishnoi significa o número 29. Entre esses preceitos, há o de ser compassivo com todos os seres vivos, o de não matar animais, e o de não cortar as árvores. O amor deles pela natureza os ajudou a sobreviver  à dura vida nas áreas desérticas  do Rajastão e também a ficarem salvos dos caçadores.

A história de uma massacre de bishnois no século 18 ficou marcada como símbolo do quanto eles são capazes de se sacrificar pela natureza. Em 1730, Amrita Devi, uma integrante da comunidade, inspirou 363 outros bishnois a sacrificarem suas vidas em protesto contra a derrubada de árvores.

Quando soldados do marajá Abhay Singh começaram a cortar árvores no vilarejo de Khejarli, no Rajastão, Amrita Devi –  apelidada de “anjo da guarda da madeira” – se colocou na frente dos soldados e disse que eles cortassem a cabeça dela no lugar das árvores. Eles o fizeram e também decapitaram 2 filhas delas em seguida, que também os desafiaram.

Outros 363 bishnois protestaram do mesmo jeito e também foram mortos. Os indianos lembram essa triste data com o Dia dos Mártires da Floresta, em 11 de Setembro. Hoje há uma premiação governamental com o nome dela para homenagaear quem defende o meio ambiente.

Mulheres de Movimento Chipko abraçam árvores. Credito: Oh My Rajasthan

A crença dos Bishnois é a de que as árvores simbolizam a pureza, a riqueza e a boa sorte. As mulheres Bishnois costumam até mesmo amamentar alguns animais. E dessa forma essa comunidade está à frente das ações conservacionistas há muitos anos. O histórico de movimentos que abraçam árvores e protegem animais continuou e nos anos 70, por exemplo, o Movimento Chipko resistiu à destruição de florestas dessa forma, atraindo muitas pessoas de comunidades que dependiam das florestas.

Chipko, do Hindi, significa abraçar.  Seus integrantes amarravam fios sagrados em torno das árvores, uma ação embasada em um antigo costume Hinduísta. A inspiração desse movimento Chipko, que tinha também uma dimesnão espiritual, era a filosofia do satyagraha (resistência pacífica), divulgada por Mahatma Gandhi.

Aqui um vídeo sobre os Bishnois do canal WildFilmsIndia no YouTube:

— Equipe Beco da Índia

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