Conheça a linda ave nacional da Índia, que desfilou pelas estradas vazias durante o isolamento social

Credito: Pixabay

Em 1963 o pavão subiu ao pódium na Índia: o país escolheu esse magnífico animal de imensas caudas azuis como sua ave nacional. O pavão é importantíssimo na cultura indiana, homenageados por governantes e nas artes. Nas religiões indianas, o pavões  também são muito representados, como veículos de deuses hindus, ao lado de Buda, junto a sábios jainistas.

Recentemente, durante a pandemia da Covid 19, quando a Índia estava em lockdown (isolamento social obrigatório), vídeos de animais ocupando espaços vazios deixados pelos homens viralizaram na internet. Um deles foi de um “engarrafamento” de pavões.

Veja aqui o vídeo de pavões ocupando uma estrada nos arredores de Delhi, do canal Tollywood Nagar:

No Hinduismo, o pavão é associado com a deusa Saraswati, das artes e do conhecimento, e com Kartikeya, a divindade da Guerra, filho do deus Shiva e de Parvati.  Mas uma das imagens de pavão mais famosas do Hinduismo é a de Krishna (avatar do deus Vishnu), usando uma faixa na cabeça com penas dessa ave.

Indra, o deus védico dos céus, se transforma em pavão em uma antiga lenda. Mais tarde, desenvolvou-se a estória de que a divindade presenteara o pavão com as cores. Isso porque, segundo a lenda, quando Indra lutava contra o demônio Ravana, um pavão o protegeu, levantando a sua cauda, que se transformou em uma tela protetora. Assim, além da beleza, na cultura indiana o pavão é um protetor.

O pavão não tem conexões apenas com o Hinduismo. No Budismo é um símbolo de sabedoria e em algumas imagens, Buda surge ao lado dessas belíssimas aves em estupas (relicários budistas). Há esculturas antigas de Buda nas quais ele mesmo aparece representado como um pavão.

Lendas Budistas narram um Buda que foi um pavão de ouro em vidas passadas. O Buda Amtabha (Buda da Luz Eterna) senta debaixo da árvore, com seu trono apoiado por oito pavões.

Essa ave também é associada a um dos objetos mais famosos da história indiana: o trono do pavão, todo incrustado de pedras preciosas, como esmeraldas, rubis, safiras, pérolas e diamantes.

Há duas imagens entalhadas de pavões no trono, encomendado no século 17 pelo imperador Shah Jahan (o que mandou construir o Taj Mahal) para o Hall das Audiências Privativas (Diwan-i-Khas) do imperador, no Forte Vermelho de Delhi, de onde esses governantes da dinastia mogol governavam a Índia.

O deus Krishna representado com pena na
cabeça. Crédito: Krishnaunlimited

Mas em 1739, durante um saque a Delhi promovido pelo rei persa Nadir Shah,  o trono foi levado embora como uma espécie de troféu de guerra, e desapareceu. O imperador mandou fazer um outro trono baseado no original.

Quem já visitou o Palácio dos marajás da Cidade de Jaipur, na capital do Rajastão, vai lembrar dos pavões que enfeitam um de seus portões ornamentados. Há séculos os pavões enfeitam moedas indianas. O rei Chandragupta, fundador do Império Mauryan, no século 4, tem o nome pavão (do Hindi) como sobrenome: Maurya. O emblema do clã é um pavão.

No livro “Sacred Animals of India”, a autora Nandita Krishna dedica um longo capítulo ao Pavo Cristatus Linn, o pavão indiano, que em Sânscrito é Mor e em Hindi, Mayur. Ela conta que o animal é associado à a literatura indiana devido à sua beleza, inteligência e habilidade. Nas artes, o pavão tem sido retratado há muito tempo. Um antigo instrumento indiano era chamado de Mayuri porque tem a forma do pavão. Várias cidadezinhas e vilarejos indianos são chamadas com o nome pavão.

— Equipe Beco da Índia

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