Conheça o imperador que há 2.300 anos foi pioneiro na adoção de um Estado de bem-estar social

Um dos maiores governantes da História indiana, Ashoka, o Grande se arrependeu das ações militares que resultaram em milhares de morte e se converteu ao Budismo, passando a defender ideias como justiça social, compaixão, não-violência e tolerância

Um dos maiores governantes da História indiana, que viveu há 2.300 anos, se arrependeu da violência e do alto número de mortes resultantes de suas ações militares. Como consequência, ele converteu-se ao Budismo e foi pioneiro na aplicação de políticas de bem-estar social e de valorização da vida humana e animal. Ashoka, o Grande (304 a.C – 232 a.C) ficou conhecido por ter defendido ideias como compaixão, não-violência e tolerância.

Criador do maior império da Índia Antiga, Ashoka mandou erguer pilares com quatro leões asiáticos de costas um para os outros, olhando nas quatro direções. São espécies de capitólios, símbolos do Estado.

Um desses pilares, datado de 250 a.C, com mais de 2 metros de altura, foi achado no início do século 20 por um engenheiro alemão na cidade de Sarnath, bem próxima a Varanasi, a famosa cidade sagrada na beira do Rio Ganges, no estado de Uttar Pradesh. Sarnath é onde Buda proferiu o seu primeiro ensinamento, após a iluminação.

Esses leões estariam vigiando o império. Como eles estão de bocas abertas, acredita-se que isso significaria que eles transmitiriam a mensagem de Buda. Nesse pilar, há ainda representações de outros animais, como o elefante, o cavalo, e o touro. O leão é frequentemente usado como símbolo de Buda e os outros animais da estátua também possuem significados simbólicos budistas. Além deles, consta ainda do capitólio de Sarnath uma flor de lótus (sagrada no Budismo, no Hinduismo e no Jainismo) e uma roda do Dharma presente no centro da bandeira da Índia.

Escultura milenar de Ashoka em visita a stupa de Sanchi. Crédito: Wikipedia

Esses pilares inspiraram os indianos, que lideraram o processo de promulgação da Constituição do país, ocorrida no dia 26 de janeiro de 1950, marcando a transição da Índia como República, três anos após da independência do Império Britânico.

O governo da Índia adotou uma imagem adaptada do pilar de Ashoka, na qual não aparece o quarto leão. Essa imagem aparece na capa da Constituição indiana, consta dos documentos oficiais do governo e da capa do passaporte do país também, além de estar presente nas notas de rúpia. Eles simbolizam a Justiça, a paz e a tolerância. Junto ao emblema dos três leões, há a mensagem escrita no alfabeto Devanagari, usado na língua Hindi: “Somente a verdade triunfa”.

Ashoka foi o terceiro governante da Dinastia Maurya, que tinha como capital a antiga cidade de Pataliputra, hoje no estado de Bihar, no Norte da Índia. O império que ele governava incluía, além de boa parte da Índia atual, os territórios onde hoje estão o Paquistão, o Afeganistão e Bangladesh.

Cartaz do filme Ashoka

O imperador passou à história como um governante criativo, benevolente e que se preocupava com a comunicação direta com o seu povo. Ele transmitia mensagens e leis por meio de inscrições em pilares e rochas espalhados pelo império. Eram os chamados editos de Ashoka.

Em um de seus editos inscritos em rocha, Ashoka avisa que está devotado a “perseguir o caminho correto budista (dhamma)” e em instruir o povo nessa direção. Os editos eram como leis propagadas ao público por meio dessas inscrições em várias línguas antigas faladas na época. Isso ocorreu após a batalha de Kalinga, que ele venceu, mas resultou em dezenas de milhares de mortes. Em uma atitude inusual em governantes, Ashoka lamentou a batalha e se arrependeu, o que resultou na sua adoção do Budismo.

Leia aqui sobre Buda

Pela primeira vez o Budismo foi adotado oficialmente por um governo, mas sem imposições a outras seitas, segundo especialistas. A partir daí, o Budismo, como filosofia e religião, acabou se espalhando pelo resto da Ásia. Como tudo na Índia rende filme, Bollywood não poderia ter ignorado essa história icrível e romantizou Ashoka, encarnado pelo astro Shah Rukh Khan e pela atriz Kareena Kapoor, no filme Ashoka (2001).

Veja o trailer do filme aqui

Equipe Beco da Índia

Seja o primeiro a comentar em "Conheça o imperador que há 2.300 anos foi pioneiro na adoção de um Estado de bem-estar social"

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*