Conheça o ‘Vendedor de Cabul’, um dos mais belos contos do escritor Tagore, que morreu há 79 anos

Cena do filme Kabuliwala, baseado no conto de Tagore. Crédito: Facebook

“O que você tem na bolsa?”, pergunta Mini, umamenina indiana, ao vendedor de Cabul. “ Um elefante”, responde ele. O diálogo pertence ao conto “Kabuliwala” (“O Vendedor de Cabul”), de 1892, que reflete a pureza, a inocência e o amor paternal e relata a bela amizade entre um vendedor de frutas secas afegão e uma menina de cinco anos de Calcutá (Índia), de uma família aristocrática.

Esse é um dos contos mais populares do grande escritor indiano Rabindranath Tagore, nascido em 1861, e que morreu há exatamente 79 anos, no dia 7 de agosto de 1941. Tagore foi o primeiro não-europeu a ser agraciado com o Nobel de Literatura, em 1913.

Livro Kabuliwala, de Rabindranath Tagore.
Crédito: Amazon

O protagonista da estória é Abdul Rehman Khan, um homem com coração de ouro, um agricultor afegão. Sem condições de sustentar a família é obrigado a deixar sua esposa e filha em Cabul (Afeganistão) para vender frutas secas trazidas de sua terra natal nas ruas da então Calcutá (hoje rebatizada Kolkata). Ele simbolizava as figuras reais desses caixeiro-viajantes, que até hoje vivem naquela cidade indiana.

O afegão vê na menina indiana a sua própria filhinha.  A estória também toca na questão da insegurança dos imigrantes, vistos sempre com discriminação, um desconhecido que deve ser temido. Havia um mito de que os vendedores de Cabul sequestravam crianças. Mas vendedores ambulantes afegãos reais contam que após o conto de Tagore, que virou filmes, o preconceito diminuiu. Os vendedores de Cabul começaram a chegar em Calcutá na Era Colonial .

Uma das personalidades mais importantes que a Índia deu ao mundo, o poeta, escritor, artista plástico, filósofo, e educador Tagore, morreu há exatamente 79 anos, em 7 de agosto de 1941.

Tagore foi também um ativo participante no movimento de libertação da Índia do Império Britânico. Mahatma Gandhi costumava chamá-lo de Gurudev, o mestre. Por sua vez, Tagore apelidou Gandhi de Mahatma, ou Grande Alma.

A obra que lhe valeu o Nobel foi a coletânea de poemas Gitanjali. Tagore tem vários feitos. Um deles é o fato de ter composto dois hinos nacionais: o da Índia (“Jana Gana Mana”) e o de Bangladesh (“Amar Shonar Bangla”).

— Florência Costa

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