Indianos estreiam seu carnaval em São Paulo

Foto: Ademir Fehliz

No primeiro ano do Bloco Bollywood, o portal de notícias O Vermelho publicou, em 13 de fevereiro de 2016, uma reportagem especial sobre o desfile do carnaval indiano em São Paulo. A matéria foi assinada pela jornalista Florência Costa, uma das organizadoras do bloco e autora do livro Os Indianos (Editora Contexto):

Não era samba, não era axé, não era lambada, não era funk, não era rock. Indianos – empresários, comerciantes, estudantes, donas de casa e crianças – d dançavam, em êxtase, atrás de um carro de som que espalhava contagiantes ritmos. Era o Bloco Bollywood, um dos 355 que a cidade de São Paulo viu passar nas ruas neste Carnaval, o maior de toda a sua história, marcado pela ocupação festiva do espaço público.

A música alternava entre dois estilos: Bhangra (popular nos países com forte presença da diáspora indiana, como Inglaterra, Canadá e Estados Unidos) e Bollywood Masala, as melodias dos filmes musicias produzidos pela maior indústria cinematográfica do mundo. Como o próprio nome diz, masala denota as misturas de estilos musicais dos mais diferentes, da influência árabe à americana.

Os homens, vestidos a caráter, com suas kurtas (túnicas compridas até os joelhos), pijamas (calças de algodão bem leve) e turbantes coloridos, tinham uma energia infindável. Mas as mulheres, de saris ou salwar kameez (conjunto de túnica com calça e uma echarpe), não ficavam atrás. O tempo ía passando, o bloco andando e os indianos eram cada vez mais seguidos por brasileiros e até estrangeiros que caminhavam por perto. Uns imitavam a coreografia dos indianos, outros tentavam capturar as imagens daquela dança incomum com seus celulares.

“Eu amo a cultura indiana porque sou angolana e em meu país a gente cresce vendo filmes de Bollywood”, comentou Evalina Cassule, que foi pega de surpresa pelo carnaval indiano enquanto passeava pelo Centro de São Paulo.

Apesar de os indianos formarem o coração do bloco, centenas de brasileiros, muitos deles vestidos ao estilo indiano, se uniram à festa. As mulheres de bindis (adesivos indianos que enfeita o meio da testa), e os homens, de tilak, uma marquinha vermelha feita no meio dos olhos, também na altura da testa, considerada auspiciosa no Hinduismo.

A música de Bollywood ou o gênero Bhangra não são tão conhecidos aqui no Brasil quanto em outros países com forte presença da diáspora indiana. Mas um sinal de que as coisas estão começando a mudar estava ali bem diante dos olhos dos foliões: uma das figuras que mais se destacou na festa indiana era uma brasileira, Iara Ananda, professora de dança clássica indiana e também do pop Bollywood.

A presença indiana ainda é pequena no Brasil: há cerca de 2 mil indianos em São Paulo, a cidade com maior número deles no país. Mas cada vez mais Índia e Brasil _ e suas culturas _ se aproximam, com ambos participando do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Este foi o primeiro Carnaval de rua indiano no Brasil. Só poderia ter sido organizado na multicultural São Paulo, onde a gestão do prefeito Fernando Haddad deu todo o apoio aos blocos, com o intuito de democratizar a festa ainda mais.

“Nosso Carnaval tem de tudo! Desfila agora pelas ruas do Centro o Bollywood, o primeiro bloco de rua indiano que se tem notícia nas terras de Piratininga”, comentou em sua página do Facebook o secretário Municipal de Cultura, Nabil Bonduki, no sábado (6).

A maior metrópole da América do Sul _ que já foi apelidada de “túmulo do samba” _ deu a volta por cima e enterrou esta má fama. A aposta deu certo. Haddad informou que o carnaval de rua deu mais retorno aos cofres municipais do que os desfiles do sambódromo. “A estimativa da SPturis é de que o carnaval de rua deste ano vai movimentar cerca de RS$ 400 milhões e o carnaval do sambódromo, algo em torno de R$ 250 milhões”, constatou o prefeito.

“Eu nunca imaginei que um dia a gente iria dançar Bhangra ou música de Bollywood no Carnaval brasileiro. A comunidade indiana no Brasil encontrou seu espaço para fazer seu próprio carnaval”, comemorou a indiana Bani Kukreja, há vários anos no Brasil.

Leia o artigo aqui

Seja o primeiro a comentar em "Indianos estreiam seu carnaval em São Paulo"

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*