Índia: Mais que uma viagem, uma experiência de vida

Patrícia na beira do Rio Ganges, em Rishikesh. Crédito: Luis Costa Pinto

Por Patrícia Andrade*

Meu interesse pela Índia surgiu ainda na infância. Aos 11 anos, fiz um trabalho para a escola sobre os diversos aspectos da civilização indiana e fiquei encantada por esse país tão multifacetado.

Muitos anos depois, já adulta, iniciei a prática de yoga. Fui me aprofundando nos estudos sobre essa filosofia milenar e me tornei professora em 2014. A curiosidade cultivada desde a infância ganhou maior força com essa imersão no universo do yoga.

Somente em janeiro de 2020, entretanto, concretizei esse sonho. Foram anos tentando convencer meu marido de que a Índia valeria a pena. Planejamos a viagem com a ajuda da Viana Turismo, uma agência de Brasília que monta, com carinho e dedicação, pacotes personalizados para os mais variados destinos turísticos.

Fizemos o roteiro tradicional, englobando Delhi, Agra, Jaipur, Jodhpur, Udaipur, Varanasi e Rishikesh. Estávamos preparados para aterrissar no planeta Índia. Mas mesmo assim, ao chegar lá, vivenciamos uma mistura de sensações: entusiasmo, perplexidade, compaixão, alegria, choque cultural.

Nossa aventura começou em Delhi, cidade pulsante, cosmopolita, com mais de 18 milhões de habitantes, caótica, cheia de árvores, parques, avenidas largas e ruas estreitas (na parte antiga), caldeirão de culturas e religiões.

Partimos depois para Agra, cidade do icônico Taj Mahal. Antes de conhecer o Taj, exploramos o Forte de Agra, típico exemplo do estilo arquitetônico islâmico-hindu. O Taj Mahal dispensa apresentações. O monumento é grandioso, impossível não se apaixonar pela simetria da construção, pelo reluzente mármore branco, pelos detalhes da arquitetura islâmica com alguns toques hindus: na sua cúpula aparecem desenhos de flores de lótus de cabeça para baixo, por exemplo.

Na sequência, fomos para o Rajastão, começando por Jaipur, cidade rosa; depois Jodhpur, cidade azul; e finalmente a encantadora Udaipur, cidade dos lagos. O Rajastão é a terra dos marajás, dos imponentes palácios e fortalezas, dos mercados vibrantes, das danças encantadoras, da música contagiante. Uma região de imensa riqueza cultural.

No caminho entre Jaipur e Jodhpur, paramos para conhecer o templo jainista de Raknapur, uma rebuscada construção em mármore iniciada em 1469. Um lugar mágico, que convida à meditação. O jainismo é uma das religiões mais antigas da Índia, assim como o budismo e o hinduísmo. A principal filosofia do jainismo é ahimsa, a não violência.

Seguimos para Varanasi, a cidade sagrada dos hinduístas, impactante sob todos os aspectos. Lá, os indianos jogam as cinzas dos mortos e também vão se purificar no Ganges, em busca da libertação do ciclo de nascimentos e mortes (moksha). Todos os dias, no final da tarde, sacerdotes brâmanes conduzem, à beira do Ganges, a cerimônia do fogo (Aarti), com canto de mantras, incensos, flores e sinos tocando, numa atmosfera que nos conduz à conexão com o divino. Assistir a esse ritual foi uma das vivências mais tocantes que já tive. Varanasi é também um dos berços do budismo. Na localidade de Sarnath, Buda teria feito a primeira pregação para cinco amigos após sua iluminação.

Por fim, fomos a Rishikesh. Capital mundial do yoga, ganhou essa fama depois que os Beatles passaram um tempo, na década de 1960, no ashram do Maharishi Mahesh Yogi, o guru da meditação transcendental. A cidade é a meca dos yogis e yoginis, com inúmeros estúdios de yoga e locais para retiros. Tem um clima de tranquilidade e boas vibrações, com muita gente de todas as partes do mundo. É basicamente um lugar de devoção a Shiva, o deus da transformação, criador do yoga.

Foram 16 dias numa viagem inesquecível. É pouco para conhecer um País tão instigante como a Índia. Mas valeu cada momento. Os templos e palácios grandiosos que visitamos. Os mercados barulhentos, cheios de cores e sabores. As ruas lotadas de gente, o trânsito enlouquecido, as vacas perambulando livremente pelas estradas. As mulheres com suas lindas vestimentas. O contato com o povo indiano, atencioso e acolhedor. Os rituais religiosos que presenciamos. Os trechos que percorremos de carro observando o cotidiano nas pequenas cidades. As conversas sobre história, cultura e espiritualidade que tivemos com os nossos guias. O Ganges esplendoroso em Rishikesh e intenso em Varanasi. A Índia é um destino singular, que deve ser explorado por quem tem a mente aberta e quer ir além dos estereótipos. Não é uma viagem comum. É uma experiência de vida. Profunda, calorosa e apaixonante.

*Patrícia Andrade é jornalista e professora de yoga

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