Qual é o melhor caminho para superar o sofrimento?

Monges budistas criam mandala de areia e depois a destroem. Credito: YouTube

“Quando tudo voltar como era antes”. Essa e uma frase muito ouvida ultimamente, devido à pandemia da Covid-19. Porém, nada será como antes. Essa é a verdade que deve ser compreendida. Nunca nada será como antes.

Monges budistas costumam desenhar lindas mandalas de areia colorida, um trabalho artesanal de horas ou dias, para logo depois apagá-las.  Por que? Para demonstra a realidade da impermanência, da transitoriedade.

Buda (que viveu entre os séculos 5 e 4 a.C) ensinava que é necessário entender a impermanência para poder lidar com a realidade do sofrimento (“dukkha”, do Sânscrito), ou experiências insatisfatórias . Quando a pessoa de fato compreende que tudo muda o  tempo todo, se livra do apego a falsas expectativas sobre a vida e não tem esse tipo de desapontamento. Ou seja: evita o sofrimento.

Tudo é transitório e não há elementos estáveis aos quais podemos nos agarrar para, dessa forma, construir uma felicidade eterna. A questão do sofrimento é central na filosofia budista, daí o Buda às vezes ser interpretado erroneamente como pessimista. Não é, ao contrário.

Buda era apenas realista e, na verdade, apontava caminhos para o fim do sofrimento. Mas para fazer isso é preciso primeiro constatar a realidade: que o sofrimento faz parte da vida.

Rio Ganges em Rishikesh, India. Heráclito dizia que não se entra duas vezes no
mesmo rio. Credito: Flickr

As quatro verdades estabelecidas por Buda são justamente essas: a constatação do sofrimento; a compreensão das origens do sofrimento; a realidade da cessação do sofrimento; os oito caminhos para a cessação do sofrimento (entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta ).

Assim, aceitar a existência do sofrimento não é se resignar. Ao contrário. É uma forma de compreender a realidade para poder superar o sofrimento.

O segredo para ter uma vida mais feliz é acabar com as falsas projeções do apego, com a falsa noção de que as coisas, nossos corpos e nossos entes queridos são constantes e imutáveis.

Compreender a impermanência é uma forma de manter a mente clara e sadia. Conseguiremos, assim, apreciar a vida pelo o que ela é, sem nos preocupar com o que não tem importância. Com isso, ganhamos a capacidade de lidar com coisas desagradáveis.  

Como dizila o filósofo Heráclito, não se pode entra no mesmo rio duas vezes porque na segunda vez nem o rio, nem você serão os mesmos.


— Equipe Beco da Índia

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