O amor complicado de Urvashi e Pururava

Urvashi, pintura de Raja Ravi Varma (1848 -1906)

Na terra do Taj Mahal e do kamasutra, as lendas são pródigas em histórias de amor romântico. Uma das mais famosas é a lenda de Urvashi e Pururava

Amor proibido na Índia é um assunto sério, antigo e até hoje domina as fantasias no país onde a maior parte dos casamentos continua sendo arranjado pelas famílias. Por trazer consigo a sombra da proibição, o amor romântico tornou-se um dos principais ingredientes de Bollywood.  Nem as deusas escapavam de punições.

Esse tema é antigo na mitoligia indiana. O famoso poeta Kalidasa (século 4) escreveu uma peça em Sânscrito sobre a lenda de Urvashi, cuja história também é contada no épico Mahabhárata. Ela é uma apsara, ou seja, um espírito feminino imortal das nuvens e das águas que vivem na corte de Indra, a divindade védica dos céus. A mais bela das apsaras da corte de Indra era Urvashi, a única citada no Rigveda, um antigo texto sagrado hindu.

A mitologia conta que Indra temia que os sábios adquirissem poderes divinos e roubassem o seu trono. Por isso, começou a tentar atrapalhar a atenção dos dois meditadores, enviando várias distrações. Mas os sábios não reagiram, não perderam o foco. Indra teve outra ideia e chamou o deus Kama, do amor, para ajudá-lo. Indra enviou Kama, sua mulher Rati e duas lindas apsaras para o alto das montanhas onde estavam os meditadores.

O objetivo era fazer com que eles fossem seduzidos pelas apsaras com a ajuda de Kama, que lançou muitas flechas do amor na direção dos sábios. As apsaras dançavam diantes deles, o que fez com que flores brotassem em meio ao inverno rigoroso dos Himalaias. Os sábios perceberam a armação e não reagiram. Mas um deles, Narayana, decidiu criar, com seu poder, uma mulher muito mais bonita do que as apsaras: a mulher criada foi justamente Urvashi.

Ao verem a bela Urvashi, Rati e as duas apsaras se envergoharam e se arrependeram de terem tentado atrapalhar a meditação dos sábios. Em uma demonstração de que não tinha a intenção de disputar poder com Indra e que portanto a divindade não teria nada a temer, Narayana enviou Urvashi aos céus para viver na Corte da divndade.

Quando Urvashi se cansou da vida celestial, veio para a Terra, conheceu Pururava, um rei mortal, fundador da dinastia lunar, e se apaixonou por ele.  O contato com as contraditórias e intensas emoções humanas a atraiu. Ela não queria mais saber da entediante “felicidade” eterna dos céus. 

Pururava pediu Urvashi em casamento e ela colocou duas condições para aceitar a proposta: a de que ele protegeria seu carneiro de estimação e a de eles nunca se veriam nus (a não ser quando estivessem na cama). No entanto, Indra já sentia saudades de Urvashi e articulou um plano para tê-la de volta.

Indra enviou à Terra mensageiros que sequestraram a ovelha de estimação de Urvashi. Quando Urvashi ouviu o animal gritar, brigou com Pururava por não ter tomando conta do animal. Pururava saiu correndo atrás do bicho, mas esqueceu que estava nu. Indra, com seu raios poderosos, o iluminou e Urvashi viu Pururava nu.

A quebra da promessa fez com que Uvarshi voltasse aos céus. Mas lá, ela não conseguia esquecer Pururava. Desceu à Terra novamente e encontrou o rei amado. Porém, uma maldição a obrigou a voltar aos céus de novo. Ela voltou, mas carregava no ventre um filho do rei Pururava.

Urvashi pediu a Pururava para se encontrarem mais uma vez, dali a nove meses. O encontro foi marcado na cidade de Kurukshetra, o cenário da batalha entre primos do milenar épico Mahabhárata. Urvashi deu a Pururava o filho que ele sempre quis e foi obrigada a deixá-lo novamente, devido à maldição.

— Equipe Beco da Índia

Veja aqui um pequeno vídeo com a história de Urvashi

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