O documentário que é um bálsamo para momentos de angústia: como o ioga ajuda na nossa conquista da paz

Foto de Michael O'Neill, do seu livro "Yoga: Architecture on Peace". Credito: Portal Rosa Choque

Em meio ao caos, o equilíbrio. Em meio ao medo, a descoberta de saídas.  Em meio ao sofrimento, a conquista do alívio. Em meio à ignorância, mensagens de sabedoria. O documentário “Ioga: Arquitetura da Paz” ( “On yoga: the Architecture of Peace”, de 2017), disponível no serviço de streaming Netflix, traz imagens — lindas por sinal — e uma história inspiradora nesse momento em que nos sentimos perdidos e angustiados com o isolamento social, devido ao Covid-19. A mensagem mais importante do documentário para os dias atuais é de uma guru de ioga, que lembra: “a maior parte do mundo está procurando  fora de si  pela sua verdade quando o mundo inteiro está dentro de nós”.

Ou seja, nossa paz de espírito e alegria não dependem somente do mundo exterior. Há muita felicidade dentro de nós mesmos.  O documentário, produzido, dirigido e escrito pelo brasileiro Heitor Dhalia, é baseado em um no livro do grande fotógrafo americano Michael O’Neill publicado em 2015, sobre os 10 anos de investigação do autor pelos caminhos do Ioga, a tradição milenar indiana que transformou a sua vida. Um problema em seus braços, que o ameaçou deixar a sua grande paixão, a fotografia,  o levou  ao ioga, à Índia, onde ele entrevistou e fotografou inúmeros gurus. 

Entre os gurus e mestres entrevistados na Índia e nos EUA, para mostrar os benefícios do Ioga, Gurmukh, a mestre sikh (uma das religiões nascidas na Índia) que ensinou por ano kundalini yoga a Michael O’Neill. Ela ressalta a importância da respiração: “O modo como você respira é o modo como você vive. Respire mais intensamente, profundamente, e mais intensa será a sua vida. A vida pode ser tão mais extensa, livre, rica, consciente. A qualidade de sua respiração é a qualidade de sua vida. Você deve caminhar sozinho, da escuridão para a luz, através de sua respiração”. A consciência, diz outra entrevistada, está entre a inspiração e a expiração.

Ioga, é bom lembrar, não é apenas um exercício físico, mas uma forma de vida e uma maneira de nos conhecermos, já que há uma conexão com os nossos pensamentos e sentimentos durante a prática. O que faz a diferença não são os desafios, os problemas e ou pandemias que enfrentamos na vida. É a forma como atravessamos a vida que faz a diferença, lembra uma das entrevistadas.

Michael O’Neill com seu livro.
Credito: Taschen

O Neill fotografou e filmou diferentes vertentes do ioga com o objetivo de cobrir uma história visual, sobre como o ioga é praticado e quem são os professores. “Não importava se o asana (a postura) era perfeita para mim. Era mais a energia e a intenção do asana e a fotografia que me importava”, disse ele sobre o seu próprio caminho pessoal com o ioga. “Aquele caminho era um rio  e o intuito era estar dentro da água”, explicou O ‘Neill, para quem o Rio Ganges, tido como uma deusa para os hindus, é uma mãe.

O filme mostra que o verdadeiro sentido do ioga – pelo qual você aprende a trabalhar a sua energia e o seu espírito — é a união de corpo e mente, um união que está dentro de nós. É a percepção do momento. “Não é aquele [pensmaento] amanhã serei feliz, talvez no futuro”, diz um entrevistado. A aula sobre o sentido do Ioga é acompanhada de imagens variadas, da beira do Rio Gages às ruas de Nova Iorque, algumas de tirar o fôledo. O’Neill reflete, ao final: “Quanto mais eu me envolvo nessa jornada, mais percebo que meu ioga se desenvolveu em um metodo de desapego e aceitação de mudanças, passagens, morte, de se afastar do medo, do medo que nos limita”.

— — Equipe Beco da Índia

Veja aqui o trailler sobre o documentário:

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