O mausoléu de um poeta que inspirou o Taj Mahal

Tumba de Abdul Rahim Khan-i-Khana

Símbolo do amor e da própria Índia, o Taj Mahal foi inspirado em um belíssimo mausoléu construído cinquenta anos antes e que acaba de ser renovado na capital indiana

Cinco décadas antes da construção do Taj Mahal, o símbolo do amor e da Índia, surgia uma de suas grandes fontes de inpiração: o mausoléu Abdur Rahim Khan-e-Khana, poeta e general da Corte do imperador Akbar, o Grande.

O Taj Mahal começou a ser construído em 1632 e ficou pronto 20 anos depois. Foi o imperador Shah Jahan, neto de Akbar, que ordenou a sua construção e ficou para a história. Situado na cidade de Agra, no estado de Uttar Pradesh (Norte da Índia), é um dos monumentos mais visitados do mundo.

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A tumba desse poeta foi construída por ele em homenagem à sua esposa, Mah Banu, morta em 1598, exatamente como ocorreu com o Taj Mahal, erguido para a esposa favorita de Shah Jahan, Muntaz Mahal, que morreu ao dar a luzao 14º filho do casal. Rahim morreu em 1627 e foi enterrado na tumbam que mandou construir, ao lado da esposa, como ocorreu também com Shah Jahan.

Abdul Rahim Khan-i-khana. Crédito: thefamouspeople.com

A construção de imensos mausoléus com jardins era uma tradição dos imperadores da Dinastia Mogol, à qual Shah Jahan e Akbar representavam. A majestosa tumba de Abdur Rahim Khan-e-Khana está localizada na área de Nizamuddin, em Delhi.

Os arquitetos do Taj Mahal também se inspiraram em outras construções desses imperadores-arquitetos, como ficaram conhecido na História, e uma delas é a tumba de Humayun (1508-1556), também em Delhi.  Humayun era filho de Babur, o primeiro Mogól que chegou na Índia, no século 15, dando origem à dinastia. A tumba de Abdur Rahim Khan-e-Khana acabou de ser renovada, após seis anos de esforços de conservação. Como parte do meticuloso exercício de conservação, toda a estrutura foi reforçada. Artesãos qualificados foram acionados para limpar a superfície interna e consertar o gesso decorativo, o piso de arenito do corredor, a cúpula e a fachada.

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Foi uma grande notícia porque trata-se de uma das construções históricas mais importantes da Era Mogól. A tumba foi estrategicamente construída perto de um importante centro de peregrinação até os dias de hoje: o santuário de sufi Hazrat Nizamuddin Auliya, do século 13, nas margens do rio Yamuna.

Abdur Rahim Khan-e-Khana foi um dos nove cortesãos mais proeminentes da corte de Akbar, um dos maiores imperadores da história da Índia. Rahim era um poeta prolífico e foi também o comandante-em-chefe do exército mogol, um tradutor por excelência e um patrono entusiasta da arquitetura.

Talvez o legado mais duradouro de Rahim seja a sua poesia, que ao longo dos anos foi divulgada por meio dos livros escolares na língua Hindi, a principal da Índia.

Rahim nasceu em 1556, filho de Bairam Khan, tio e tutor de Akbar. Após o assassinato de Bairam Khan, Akbar imediatamente ordenou que a criança fosse trazida a ele. Na corte de Akbar, Rahim aprendeu  equitação, luta livre, esgrima e línguas, como árabe, turco, persa e sânscrito. Ele teve um tipo de educação geralmente reservada somente para filhos de nobres.

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Como Rahim conheceu vários lugares e culturas nas suas jornadas militares, isso acabou influenciando em sua literatura, tornando-a aberta a vários estilos. Ele escreveu poesia bhakti (devoção religiosa), didática e erótica.

Além disso, Rahim foi um dos principais tradutores de sua época. A autobiografia de Babur foi traduzida por Rahim do turco para o persa. E como se não bastasse isso, ele era um entusiasmado por arquitetura: patrocinou a construção de canais, tanques e jardins de lazer em Agra, Delhi, Lahore e Burhanpur. O ateliê literário de Rahim produziu belas traduções ilustradas dos épicos Ramaiana e Mahabhárata.

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