O que uma graciosa dançarina indiana ensina sobre uma sofisticada civilização que existiu há 5 mil anos

Arte sobre imagem da menina dançarina. Credito: harappa.com

Ela tem pouco mais  de 10 centímetros de altura, vende confiança e naturalidade. Feita de bronze, com olhos grandes, 25 pulseiras ao longo do braço esquerdo estendido, ostenta um pesado colar com 3 pingentes grandes. O braço direito, com 4 pulseiras, está apoiado na cintura, conferindo uma graça especial à essa obra de arte. Uma das pernas está flexionada. Parece que a garota, nua e com proporções estilizadas, está dançando. O artesão desconhecido,  habilidoso em metalurgia, capturou, há milhares de anos o charme jovial da bailarina pré-histórica, criada entre 2300-a.C a 1750 a.C.

Essa pequena escultura é um gigante símbolo de uma das maiores civilizações da antiguidade que existiu no Norte da Índia e parte do Paquistão: a Civilização do Vale do Indo, ou Civilização Harappa. Ela é uma das estrelas do Museu Nacional de Nova Delhi, um dos melhores do país.

Sítio arqueológico de Mohenjo Daro, pertencente à Civilização do Vale do Indo, que
existou há 5 mil anos. Credito: Wikimedia Commons

A pequena dançarina prova duas coisas: que a sofisticada Civilização do Vale do Indo dominava perfeitamente a arte da metalurgia e que a dança fazia parte da cultura daquele povo. A menina dançarina é o ícone mais famoso da Civilização do Vale do Indo, ou Civilização Harapa, cujo auge foi entre 2600 a.C a 1900 a.C e chegou a ter uma população de 5 milhões de pessoas.

A escultura foi encontrada no século 20 por arqueólogos britânicos e indianos nos sítios arqueológicos dessa incrível civilização, que tinha cidades planejadas, sistema de esgoto, banheiros nas casas, uma escrita cuneiforme (ainda não decifrada), e comércio intenso com a Mesopotâmia, por exemplo. Não se sabe como essa civilização desapareceu, com o abandono dessas cidades, a partir de 1300 a.C. Uma das teorias mais fortes é que teria ocorrido uma seca, uma mudança climática drástica. Mas a graça da pequena dançarina não deixa dúvidas sobre esse passado esplendoroso da Índia: a beleza, lembrando o poeta e diplomata Vinícius de Moraes, era fundamental.

— Equipe Beco da Índia

Veja aqui um vídeo do cnal do Youtube Live History India:

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