Para os mestres, com amor: como os indianos celebram seus gurus espirituais, artísticos e acadêmicos

Credito: Pxfuel

O 5 de julho de 2020, domingo, foi dia de Guru Purnima, homenagem aos mestres na Índia

A reverência dos indianos pelos seus gurus, ou mestres, é notória, assim como em vários outros países da Ásia. No domingo, 5 de julho, foi comemorado na Índia, Nepal e Butão a Guru Purnima, a noite de lua cheia do guru, no mês de Ashadha, pelo calendário védico.

Hindus, jains e budistas  homenageiam seus gurus, ou seja, professores, que podem ser espirituais, artísticos ou acadêmicos, de todas as áreas do conhecimento. A palavra guru, do sânscrito, significa aquele que remove a escuridão e ignorância. A data também é celebrada como Vyasa Purnima, para lembrar o grande sábio Veda Vyasa, que teria compilado os Vedas, os Puranas, escrituras sagradas, e teria sido o autor do épico Mahabhárata.

O Centro Cultural Swami Vivekananda (CCSV), que divulga a cultura indiana no Brasil, ligado ao consulado-geral da Índia em São Paulo, organizou uma comemoração online, que começou com uma apresentação do professor de música clássica indiana Fábio Kidesh, e terminou com um bate papo entre as professoras de danças clássicas da Índia Iara Ananda e Gyaneshree Karahe. Os três ensinam no CCSV. Iara dá aula de Bharatnatyam, estilo de dança do Sul da Índia, e Gyaneshree ensina Kathak, um tipo de dança típica do Norte do país.

Iara, que ensina no CCSV desde a sua fundação, em 2011, dança Bharatanatyam desde os 10 anos de idade, incentivada por sua mãe, Patríciai Romano, também professora de danças clássicas do Sul da Índia (Bharatanatyam, Kuchipudi e Mohiniyattam).

“Essa é uma data muito importante também para os professores, que não param de estudar”, constatou Iara. Ela contou que teve duas gurus na sua carreira de dançarina. Uma foi a própria mãe, e a outra, Srimathi Kalamandalam Sumathi, uma mestre de Bharatanatyam que vive em Kerala, estado no Sul da Índia. Em 2004, Iara foi para a Índia para ter aulas com essa professora.

“A minha guru de Kerala é uma pessoa incrível, maravilhosa, generosa. Eu tento voltar de tempos em tempos para me reciclar e para ficar um pouco perto da minha guru. Ficar próxima do guru significa um mar de conhecimento”, disse. A relação mestre-discípulo na Índia é muito intensa.“Graças à essa tradição que a dança indiana está viva até hoje”, explicou Iara.  

Gyaneshree, que nasceu na Índia e veio para o Brasil em 2009, nasceu em uma família que respirava arte: seu pai era músico e sua irmã também aprendeu dança clássica. “Na Índia é comum os pais exigirem dos filhos que, além de estudaram, aprendam uma arte”, disse.

Para a professora indiana, uma grande qualidade de um guru é detectar quando o aluno está pronto para seguir seu caminho. “Eu falo sempre para os meus alunos para dar tempo ao tempo. Tenho muitos alunos aqui no Brasil que querem se dedicar e isso faz com que a gente queira passar mais conhecimento para eles”, disse.

Na Índia, Gyaneshree teve aulas de dança prática e teórica. Ela começou com cinco anos de idade. “O meu professor, como é comum na Índia, era rígido. Mas a rigidez é um jeito de mostrar amor e ensinar a disciplina”, contou. Segundo ela, a tradição manda que os alunos estudem com o guru em sua casa. “ O guru trasmite o conhecimento e os alunos realizam a ‘seva’, ou seja, serviços como cuidar da casa do guru, que a gente chama de ashram, o lugar onde todo mundo recebe abrigo”, explicou Gyaneshree.

— Equipe Beco da Índia

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