Por que a palavra de ordem é ‘Karuna’

Credito: PxFuel

É preciso falar de “karuna” em meio à reviravolta que nossas vidas deram diante da pandemia do coronavírus, ou o Covid19. “Karuna” é um termo em Sânscrito que significa compaixão, muito usado no Budismo. Ou seja, é a compreensão e o desejo de ajudar a aliviar o sofrimento dos outros. A “karuna” deve ser praticada nas nossas ações, falas e pensamentos.

Mas há uma outra palavrinha originária do Sânscrito que anda de mão dada com a “karuna”: “prajna” (uma espécie de sabedoria intuitiva). As duas se alimentam. Apesar de parecer, ao primeiro olhar, que “karuna” e “prajna” pertençam a mundos distintos – o primeiro ao emocional e o segundo, ao intelectual – não é assim.

“Prajna” não significa o conhecimento adquirido por estudos formais, mas uma clareza na mente. Essa clareza mental planta as sementes para o nascimento da compaixão. Ambos – “prajna” e “karuna” – são qualidades necessárias para se obter a iluminação, já ensinava Buda há 2500 anos. São como duas asas, absolutamente necessárias para o pássaro voar.

A meditação é uma forma de desenvolver essas qualidades que vão eliminar as auto-ilusões com água e sabão, como a limpeza que fazemos em nossas mãos para evitar contaminações. As meditações nos ajudam a ser mais sensíveis ao sofrimento dos outros.

Há meditações específicas para o despertar da compaixão. No Budismo, por exemplo, pratica-se muito a “metta” (amor compassivo, palavra originária de uma antiga língua, o Pali, próxima à falada por Buda naquela região onde hoje está do norte da Índia).

Mas para preparar-nos para sentir compaixão pelos outros, é preciso desenvolver a compaixão por nós mesmos, como ensinam budistas. Isso porque a forma como nos sentimos sobre nós mesmos afeta a forma como nos sentimos sobre os outros.

Esse exercício de meditação, baseado na respiração, consiste no foco da bondade compassiva para nós mesmos. Depois, para um amigo próximo. Em seguida, para uma pessoa neutra. Após isso, o foco é direcionado para uma pessoa da qual não se gosta. E por último, para todas as pessoas do mundo e para todos os seres vivos.

É essa a vacina para um mundo melhor.

— Equipe Beco da Índia

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