Por que o papagaio é celebrado nas artes, em lendas e em textos antigos como Kamasutra?

Segundo o Kamasutra, um dos requerimentos para que um homem fosse desejado era a sua habilidade de treinar um papagaio para falar. Isso porque a ave seria um entretenimento para as mulheres na ausência dos homens

A presença de pássaros falantes como os papagaios na literatura e nas artes da Índia começa há mais de 3 mil anos e continua até hoje. Recentemente, o público que assistiu à série O Rapaz Adequado (Netflix) viu cenas em que a personagem Tabu, uma cortesã, tem uma dessas aves como companhia.

O papagaio tem sido reverenciado por séculos na tradição indiana, em textos, mitos, lendas e objetos de arte. São celebrados como mensageiros, contadores de histórias e como professores.

Nos textos em Sânscrito e em Persa, a habilidade natural do papagaio conferiu a ele um status elevado. O bicho geralmente aparece nessas lendas como um exímio contador de histórias para mulheres separadas de seus maridos ou amantes que estão longe por trabalho ou por motivos de guerra. Assim, com os papagaios distraindo-as com histórias todas as noites, elas não trairiam os companheiros ausentes.

Papagaio indiano. Crédito: Wikipedia

No Kamasutra, o antigo tratado do amor, um dos requerimentos para que um homem seja desejado é a sua habilidade de treinar o papagaio para falar. Além disso, a crença milenar é a de que os papagaios possuem  poderes místicos, de previsão de futruro, e costumavam ser utilizados por astrólogos indianos.

Os brâmanes consideravam esse pássaro sagrado, mais do os outros. Segundo textos hindus, a esposa do sábio Kashyap era a mãe dos papagaios. Kashyap era um dos mais recerenciados sábios da tradição mitológica indiana.

Em outro texto da tradição indiana havia um papagaio iluminado chamado Kunjal: uma ave que pregava virtudes como benevolência e meditação. A ave também está presente nas fábulas Jataka e Panchatantra, da tradição indiana.

O pequeno animal de estimação tornou-se uma companhia ideal desde os tempos antigos porque poderia falar a linguagem dos humanos, caso fosse treinado. A crença, desde a antiguidade, era de que se o animal fosse muito bem tratado, seria capaz de reconquistar o amor perdido. Se não recebesse muito carinho e atenção, a ave tornaria-se inquieta, como um amante rejeitado.

Na tradição Hinduísta, esse pássaro aparece também como um veículo de Kamdeva, o deus do amor e do desejo, e de sua esposa, Rati. Cada deus hindu tem o seu veículo (vahana).

— Equipe Beco da Índia