Quando Gandhi levou o Oscar

Crédito: Wikimedia Commons

Em 1982, Mahatma Gandhi renasceu na pele de Ben Kingsley, até então apenas um ator inglês de origem indiana. Kingsley ficou incrivelmente parecido com seu personagem no filme Gandhi, e sua performance rendeu-lhe o Oscar de melhor ator em 1983.

O épico, do britânico Richard Attenborough, abocanhou mais sete estatuetas: filme, direção, roteiro, fotografia, montagem, direção de arte, figurino e cenografia.

Uma curiosidade: 25 anos depois desta premiação, outro filme estrangeiro sobre a Índia ganhou também oito estatuetas, inclusive a de melhor filme. Foi “Slumdog Millionaire” (Quem quer ser Milionário), do cineasta britânico Danny Boyle. Desde 1962 Attenborough queria levar para as telas a vida do líder pacifista, mas ele demorou 20 anos para realizar este sonho.  

“Gandhi” conta a história do advogado indiano que mostrou ao mundo como sair da loucura, como é imperativo resistir à injustiça, mas sem sangue. Dessa forma, acabou se tornando um herói para milhões de indianos ao vencer uma queda-de-braço com o Império Britânico pela independência do país.

Crédito: Columbia Pictures

Como uma mandala, o filme dá uma volta completa, começa e termina na mesma cena trágica do dia 3 de janeiro de 1948, quando Gandhi foi assassinado. A sua vida é mostrada desde a sua atuação como advogado na África do Sul, onde este indiano do estado do Gujarat viveu por mais de 20 anos e desenvolveu suas táticas de desobediência civil. A sua trajetória se mistura com o contexto político da Índia no século XX.

A obra revela a força da resistência passiva de Gandhi, armado sempre com o que tinha: a paz.  “Cem mil ingleses não podem controlar 350 milhões de indianos se eles se recusarem a cooperar”, dizia ele. Gandhi estava preparado para morrer por uma causa, mas estava também decidido a não matar por nenhuma causa.

Uma personagem das mais interessantes no filme e na vida real é Margareth Bourke-White (1904-1971), a primeira fotógrafa de guerra americana, que registrou o movimento de independência e a trágica partição da Índia. Em uma cena do filme, ela pergunta a Gandhi: “Você acredita que a não-violência funcionaria contra alguém contra Hitler?” A resposta de Gandhi ainda nos ressoa muito atual: “Não se pode aceitar a injustiça, seja de Hitler ou de qualquer outro”.

— Florência Costa

Veja aqui um trailer do filme Gandhi, com legendas em português:

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