Quando os tradicionais saris fazem arte contemporânea

Edredon de saris de Madhu Das. Crédito: Prameya Art Foundation

Os saris, essas tradicionais peças da vestimenta indiana, com seis metros de comprimento cada um, podem vestir, mas também contar histórias. Em julho, em meio à pandemia, Madhu Das, um artista contemporâneo promoveu uma intervenção na qual utilizou 60 saris que coletou de diferentes famílias de uma comunidade local, o vilarejo Hiriyur, no estado indiano de Karnataka.

Os saris foram costurados para formar uma espécie de edredon de 47 metros de comprimento.  O projeto  “Where are we” fez parte de uma exibição online promovida pela Prameya Art Foundation. O edredon foi exibido do alto da histórica barragem Mari Kanave, no estado de Karnataka. A barragem foi construída pelos britânicos em 1855, e a obra atraiu 5 mil trabalhadores de vilarejos vizinhos e de outras regiões como Pune (cidde no estado de Maharashtra) e Madras (como era chamada a antiga Chennai, hoje capital do estado de Tamil Nadu).

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Sessenta saris costurados, de Madhu Das.
Crédito Prameya Art Foundation

A construção da barragem acabou promovendo, então, uma intensa migração, o que deu ao local uma cultura única. O edredon, uma intervenção artística que quebra a visão da barragem, reflete o rico mosaico cultural com a mistura das populações  da região no processo de construção da barragem no século 19.

Madhu Das chama a atenção para a tensão entre a herança da industrialização rápida que aconteceu no local  e as existências frágeis que foram relocadas  e empurradas para as sombras da imponente obra de engenharia. Como explicam os organizadores da mostra no site da Prameya Art Foundation , “Where we are” encena um encontro entre o espaço público e estruturas sociais por meio de visões surreais que exploram os mecanismos de poder nas vidas cotidianas aos mesclar memória pessoal e histórica coletiva.

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A Prameya Art Foundation, com sede em Delhi, é uma iniciativa que apoia práticas experimentais  e encoraja colaborações transdisciplinares. Prameya significa Conhecimento, em Sânscrito.  O nome indica o objetivo da fundação: de encarar a arte como um espaço disruptivo e promover um diálogo sobre o seu futuro.

Plataforma sem fins lucrativos, a fundação é movida pela ideia de que para um contexto artístico sustentável é importante investir em pesquisa artística, projetos curatoriais, iniciativas de arte pública, prática social, colaborações e residências.

Tem como objetivo construir uma base sólida para a prática da arte contemporânea e desenvolver parcerias estratégicas nacionais e internacionais para apoiar os artistas e o seu trabalho. A Prameya Art Foundation foi concebida por Anahita Taneja e Shefali Somani, comprometidas com a divulgação da arte contemporânea no sul da Ásia. Desde 2008, elas apoiam e estimulam práticas experimentais por meio da Shrine Empire, uma das principais galerias de arte contemporânea da capital indiana.

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— Equipe Beco da Índia

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