Quem foi o ‘Sol Indiano” que apresentou ao mundo a beleza e a riqueza da música clássica da Índia?

O sitarista Ravi Shankar com George Harrison dos Beatles. Credito: Musicplus India

Quando o Ocidente pensa em música clássica indiana, um primeiro nome vem à mente: Ravi Shankar (1920-2012). Ele fez do sitara um símbolo da Índia para o resto do mundo a partir dos anos 50. No dia 7 de abril comemorou-se os 100 anos de seu nascimento. Conhecido por seus esforços para apresentar música indiana no Ocidente, Shankar era um mestre incontestável, um compositor iluminado e por que não dizer, um verdadeiro embaixador cultural da Índia.

Poucos sabem mas quando criança, ele dançava e chegou a se apresentar na Europa com o grupo de seu irmão mais velho, Udav Shankar. Mas no fim dos anos 30 ele desistiu da dança e começou a estudar sitara com o mestre Allauddin Khan. Shankar compôs as trilhas musicais para a famosa “Trilogia de Apu”, os premiados filmes do cineasta bengalês Satyajit Ray (1921-1992).

Foi nos anos 50 que ele começou a se apresentar no Ocidente com o mestre de violino clássico americano Yehudi Menuhin: os dois se conheceram em 1952 e a amizade durou a vida toda. Quatro anos após o primeiro encontro, eles lançaram o disco “Três Ragas” (“Three Ragas”). Foi nesse momento que o público internacional começou a prestart a atenção naquele músico indiano. Mas o album mais famoso que os dois produziram foi “West Meets East” (“O Ocidente encontra o Oriente”), em 1967.

A biografia do mestre Shankar.
Credito: Goodreads

Outra estrela da música internacional que se associou com Shankar foi George Harrison, um apaixonado pela Índia que chegou a aprender a tocar sítara. O mestre indiano surge em algumas músicas dos Beatles com seu instrumento: em 1966, “Love you to”, foi uma das primeiras músicas pops a incluir o sitara. Shankar participou de festivais históricos como o Monterey Pop, na California, em 1967, e o Woodstock, em 1969. Harrison apelidou Shankar de “o paddrinho do World Music”.

Dois anos depois, Shankar e Harrison inauguraram o concerto de rock para arrecadar fundos para Crises humanitárias: o Concerto para Bangladesh, no Madison Square Garden (Nova Iorque). A ideia foi ajudar as vítimas da guerra e da pobreza daquele país. Shankar disse certa vez que nunca imaginou que o encontro com Harrison fosse ter tanta repercussão.
O primeiro museu americano a celebrar Ravi Shankar _ que nasceu na cidade mais sagrada da Índia, Varanassi — foi o Museu Grammy, em 2015, com a exposição Ravi Shankar: A Life In Music, que inicia com a coleção de suas sítaras, uma delas de 1930.

Ravi Shankar teve duas filhas que brilharam na música e, assim como o pai, ganharam muitos prêmios: a cantora de jazz Norah Jones e a sitarista Anoushka Shankar, que também escreveu um livro: “Bapi: The Love of My Life, uma biografia de seu pai. Neste ano, a data dos 100 anos de nascimento de Ravi Shankar ocorreu em meio à pandemia do Coronavírus, e toda a agenda de comemoração, planejada pela filha Anoushka Shankar, foi cancelada. Mas ela conseguiu organizar homenagens online. Veja seus alunos e sua filha tocando, online,  “Sandhya Raga”, composição de Ravi Shankar, no dia 7 de abril.

Outra belíssima celebração foi a publicação do livro “Indian Sun”, de Oliver Craske, editor e escritor britânico especializado em música indiana: uma biografia de Ravi Shankar. Era para ser lançada com pompa no dia em que ele completaria 100 anos, mas a pandemia não deixou. Mesmo assim, o livro saiu do forno. “É uma extraordinária história humana de vida”, opinou Bilal Qureshi, escritor e jornalista especializado em cultura, que colabora com o The Washington Post, The New York Times e outras publicações.

“Este é o retrato de um homem por trás da música e das águas desconhecidas da busca de Shankar para salvar a música clássica indiana da extinção. Com sua escrita elegante e uma extensa pesquisa, Craske conseguiu destruir o clichê oriental de Shankar e reconstruir a sua reputação  como um dos gigantes da música mundial”, afirma Qureshi.

— Equipe Beco da Índia

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