Saiba como os ensinamentos de Gandhi nos ajudam a enfrentar a pandemia e a construir um novo futuro

Shobhana Radakrishna, seguidora de Mahatma Gandhi. Crédito: Shobhana Radakrishna Website

A indiana Shobhana Radakrishna, que divulga as ideias de Mahatma Gandhi, ofereceu uma palestra online ao público brasileiro

Uma das mais conhecidas seguidoras do pensamento de Mahatma Gandhi no mundo, a indiana Shobhana Radhakrishna ofereceu ao público brasileiro uma palestra online, na qual explicou a importância de uma vida simples, minimalista, como base para uma economia sustentável; da educação básica como defendida pelo educador brasileiro Paulo Freire; do auto-controle físico, mental e espiritual; da convivência harmônica com a natureza; da não-violência; e dos valores pregados pelos ioga sutras, os textos milenares desta prática nascida na Índia Antiga.

A palestra “Gandhi: a coragem visionária”, promovida no dia 12 de junho pela Associação Palas Athena, pelo consulado-geral da Índia em São Paulo e pelo Centro Cultural Swami Vivekananda, faz parte das comemorações do Dia Internacional do Ioga, em 21 de junho. Shobhana Radakrishna lembrou que Gandhi incorporou em sua vida e em seus ensinamentos o ioga e o aiurveda, sabedorias desenvolvidas há mais de 5 mil anos.

Ela cresceu no ashram (retiro espiritual) Sewagram, criado por Gandhi em 1936 em Wardha, no estado de Maharashtra e dirige o Forum para Governança Corporativa Ética, que promove práticas éticas nos negócios e do setor público. Ela conta que planejava vir ao Brasil neste ano para divulgar os valores gandhianos de não-violência, justiça e igualdade, mas com a pandemia da Covid 19, os planos foram cancelados.

Admiradora do trabalho de Paulo Freire, Radakrishna explicou que Gandhi também acreditava que a educação leva à ação e que a educação básica deve servir à nação. “Os dois acreditavam que o conhecimento leva ao trabalho e à auto-confiança. E eu mesma fui fruto desse tipo de educação promovida por Mahatma Ganhdi”, afirmou. Shobhana Radhakrishna conta que seu pai, que conheceu Gandhi pessoalmente e foi aluno dele, participou da luta pela independência da Índia do Império Britânico, conquistada em 1947.

“Mesmo após a morte de Gandhi, por mais de cinco décadas nós continuamos a andar no caminho mostrado por ele. Gandhi inspirou uma geração de pessoas, que continuou a trabalhar pela causa pela qual ele viveu e morreu”, disse. O ensinamento de que o caminho está na não violência e em uma vida simples,  dentro de um modelo de desenvolvimento para uma economia sustentável, hoje soa normal, mas foi visionário na época de Gandhi. Ele pregava esse estilo de vida nos quatro ashrams que criou (dois na África do Sul, onde viveu anos, e dois na Índia, onde nasceu e voltou a viver até a sua morte, em 1948).

Esses ashrams eram os laboratorios de Gandhi  para preparar a ‘satyagraha’, ou seja, a resistência não-violenta. “Não só os que viviam nos ashrams, mas milhares de homens e mulheres jovens receberam treinamento direto de Gandhi para seguir o modelo de vida que ele estabeleceu, fazendo trabalho comunitário e social com o objetivo de resgatar o auto-respeito,  especialmente dos mais pobres”, afirmou. Os ashrams tem uma rotina bastante rígida, com disciplina, pontualidade e o ensinamento de valores como desapego material.

“Gandhi praticava uma vida minimalista. Já naquela época ele pregava a reciclagem, a redução do consumo e a reutilização dos produtos. Com isso, ele ajudou a construir auto-confinaça entre as pessoas, que passavam a viver uma vida destemida”, ressaltou Shobhana Radhakrishna. A pandemia do Coronavírus, segundo ela, nos ensina a lidar conosco mesmo, com o nosso auto-controle de uma forma física, mental e espiritual, além de viver em harmonia com a natureza.

“Não precisamos reinventar nada. Precisamos apenas nos inspirar no estilo de vida de Ganhdi para construir um novo futuro. O coronavirus está trazendo para as pessoas essa mensagem de forma muito clara. A psicologia das massas aponta para um mundo que está vivendo no luto. Um luto por um estilo de vida que está sendo perdido e não pode ser mais vivido”, destacou.

Ela explicou que nesse novo mundo, é essenicial viver em uma comunidade unida, sem espaço para injustiças e violências. “O caminho é de apoio mútuo, interdependência  e não violência”, disse. Gandhi praticava diariamente as prescrições da milenar ioga sutra do sábio Patanjali e se preocupava muito com o aspecto da saúde. “Ele caminhava oito quilômetros por dia, praticava pranayamas e dizia que as pessoas precisavam respirar corretamente. Por isso, ele recomendava que todos os ambientes de uma casa fossem ventilados.

Shobhana Radakrishna, durante uma palestra. Crédito: Shobhana Radakrishna Website

Gandhi também praticou o silêncio e passava um dia por semana sem falar. Meditação, concentração e as orações eram constantemente praticadas por ele. “O estilo de vida de Gandhi serve de inspiração para esses tempos de Covid 19 e nos dão as respostas para que possamos viver e atravessar este período de pandemia. O estilo de vida de Gandhi oferece muitos exemplos de auto-cuidado, que é muito importante nesse momento”, observou a seguidora do líder pacifista.

Gandhi caminhava diariamente em meio à natureza. “Ele dizia que isso nos ajuda a controlar as emoções, a nos mantermos calmos e a servir aos outros para que as emoções negativas fossem controladas. As emoções negativas aumentam a nossa crise existencial, o medo da morte, a ansiedade e o estresse”, explicou Radakrishna.

O líder pacifista fez um grande serviço para a saúde pública em todas as situações de emergências, catástofres e pandemias que enfrentou durante a sua vida.  Quando aconteceu  a pandemia da gripe espanhola, por exemplo, os seus ashrams tornaram-se locais de quarentena para mais de 30 mil pacientes na época, respeitando a distância individual, contou Shobhana Radakrishna.

— Equipe Beco da Índia

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