Um Diwali iluminado por votos de esperança

Imagems de Lakshmi e Ganesha no Diwali 2020. Credito: Centro Cultural Swami Vivekananda

O Diwali, Festival das Luzes, foi comemorado com um evento online pela comunidade indiana no Brasil no último dia 21 de novembro

A esperança tem luz própria e a comunidade indiana no Brasil tratou de acender as lamparinas de argila que simbolizam esse sentimento na cerimônia online do Diwali. O Festival das Luzes, que dura cinco dias,  é a maior celebração da Índia, simbolizando a vitória do bem sobre o mal.

O Diwali brasileiro foi organizado no sabado, 21 de novembro, pela Associação dos Indianos de São Paulo, pelo Centro Cultural Swami Vivekananda e pelo Consulado-Geral da Índia em São Paulo. A música deu um toque especial à festividade neste ano, com a participação do Grupo Bollywood Gharana, que atua em Mumbai e em Nova Iorque, e toca fusion de sons de filmes de Bollywood e músicas clássicas indianas.

Amit Kumar Mishra, consul-geral da Índia em São Paulo, destacou que neste ano, devido à Pandemia do Coronavírus, a tecnologia ajudou a organizar um Diwali seguro, pela internet, com participação de artistas de Mumbai, de Madri e de São Paulo. O Diwali também é conhecido como  Deepawali e essa palavra , do Sânscrito, significa fileira de luzes.

Amit Kumar Mishra, consul-geral da Índia em São Paulo, inaugura a festa da
Diwali 2020. Credito: Centro Cultural Swami Vivekananda
Puja Kaushik, diretora do Centro Cultural Swami Vivekananda, no Diwali 2020

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“Esse é o maior festival da Índia, equivalente ao Natal para os brasileiros. Celebramos o poder da luz sobre a escuridão, disse Puja Kaushik, diretora do Centro Cultural Swami Vivekananda. A cerimônia, filmada na sede do Centro Cultural Swami Vivekananda em São Paulo, contou com a presença de alguns poucos integrantes da comunidade do indiana em São Paulo, todos de máscaras, como Rakesh Kanojia, vice-presidente da Associação dos Indianos de São Paulo, e Vijay Bavaskar, diretor cultural da entidade.

“Nós sempre celebramos o Diwali em grande estilo, mas neste ano, por segurança, organizamos online. No entanto, o sentimento é o mesmo: de união”, disse Rakesh. “Que a luz conquiste o medo e que traga esperança e felicidade”, desejou Vijay, dono do restaurante Samosa&Company. Além, deles a chef Kanchana Kanojia iniciou a cerimônia acendendo as lamparinas em uma puja em homenagem à deusa Lakshmi, da prosperidade, que é celebrada no Diwali.

Kanchana Kanojia (esquerda) e Ratnabali Adhikari.
Credito: Centro Cultural Swami Vivekananda

Enquanto isso, a musicista e cantora Ratnabali Adikari, que vive também em São Paulo, cantou mantras para Lakshmi, de escrituras como Upanishads, desejando que a verdade vença a mentira, que a luz vença a escuridão, que a imortalidade vença a morte.

Gyanshree Karahe, professora de dança clássica indiana Kathak, apresentou-se em seguida com a dança “Devi Stuti”, que reverencia Lakshmi. Depois foi a vez de Miriam Lamos Baiak, dançarina brasileira de Bharatanatyam, que vive em Madri. Ela apresentou a dança “Durgue”, em homenagem à deusa Durga.

Gyanshree Karahe no Diwali 2020. Crédito: Arquivo pessoal
Miriam Lamas Baiak no Diwali 2020. Crédito: Centro Cultural Swami Vivekananda

A professora Iara Ananda, do primeiro grupo de dança de Bollywood do Brasil (Bollywood Brazil), apresentou um mix de danças e no final chamou as pessoas para dançarem junto com ela, de suas casas. Na sua última dança, uniram-se a Iara sua mãe Patricia Romano (que também é professora de Bharatanatyam), o marido de Iara, Heitor, e sua filha Nina, de 3 anos.

Patricia, Iara, Heitor e Nina no Diwali 2020. Crédito Arquivo pessoal

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Juily e Disha Malani no Diwali 2020. Crédito Arquivo Pessoal

Em seguida foi a vez das irmãs Juily e Disha Malani, filhas de pai indiano e mãe brasileira. As duas apresentaram danças Bhangra (estilo folclórico do estado do Punjab, no Norte da Índia) e Bollywood.

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Após as danças, a poesia teve espaço nesse evento. A indiana Shelly Bhoil, que mora em São Paulo e é escritora, recitou o poema “As Luzes da Esperança”.

Quarta geração de músicos da família, Abhijit Pohankar participou do evento de sua casa em Mumbai, como organizador do Grupo Bollywood Gharana. O grupo gravou uma apresentação especial para o Diwali brasileiro, com a participação ainda do próprio Abhijit, que tocou harmonia, Avanti Patel, qua cantou músicas de Bollywood, Gandhar Deshpande, que cantou músicas clássicas, e Saurabh Joshi, que tocou violão, além de Akshay Jadhav, na percussão. Eles cantaram e tocaram músicas do álbum “Di Padosi hai”, de Asha Bhosle, lançado em 1987 e outras músicas fusion de Bollywood com clássicas.

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Uma explicação detalhada sobre o Diwali foi feita por Amitabh Ranjan Singh, que lembrou o papel fundamental do príncipe Rama e de sua esposa Sita nesta celebração. Rama , personagem do épico Ramaiana, é a 7ª encarnação do deus hindu Vishnu (preservação). Ele explicou que o festival celebra a volta de Rama de um exílio de 14 anos na floresta, após vencer o demônio Ravana.

 “Os indianos acendem fileiras de diyas, ou lamparinas de argila, que representam a vitória da sabedoria sobre a ignorância. Cultuamos também a deusa Lakshmi. Acredita-se que esta data marca o seu casamento com o deus Vishnu”, disse. O festival sempre cai nos meses de outubro ou novembro, dependendo do calendário lunar hindu. Neste ano, o principal dia de celebração caiu no dia 14 de novembro.

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Grupo Bollywood Gharana, participa de Mumbai do Diwali 2020.
Credito: Centro Cultural Swami Vivekananda

As famílias indianas deixam as suas portas e janelas abertas e iluminam suas casas com lamparinas para que Laskhmi, ou seja, a prosperidade, as visitem. As entradas das casas são decoradas também com desenhos nos chãos feitos com pós coloridos, pétalas de flores e arroz. Esses desenhos são chamados Rangolis. As pessoas usam roupas novas  para agradecer Lakshmi  por porporcionar boa sorte a todos.

No primeiro dia de celebração, chamado Dhantera, os indianos costumam limpar as casas e às vezes até reformá-las ou pintá-las, além de comprar objetos de ouro e prata e também ítens para a cozinha. No segundo dia, as pessoas decoram as casas e no terceiro, o grande dia,  as famílias se reúnem em torno de mesas fartas com pratos deliciosos e muitos doces, além de realizar puja (rezas) para Lakshmi, a deusa da prosperidade, e também para Ganesha (deus com cabeça de elefante que representa a sabedoria) e Kuber, divindade que simboliza a riqueza.

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No quarto dia , chamado de Padwa, comemora-se o novo ano hindu: amigos e familiares se visitam e trocam presentes. No quinto e último dia, chamado de Bhai-Dooj, celebra-se a relação entre irmãos e irmãs.

“Nesses tempos difíceis, quem nos dá esperança são os cietistas e os médicos, mas artistas , músicos e dançarinas também podem nos mostrar como a vida pode ser bonita”, disse Shobhan Saxena, presidente da Associação dos Indianos de São Paulo.

— Equipe Beco da Índia

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