Minha passagem pela Índia

De encantadores de cobras a engenheiros de software, a Índia é vítima frequente dos estereótipos. As tentativas de enquadrar os indianos e seu país em uma moldura fixa, porém, dão frequentemente com os burros n’água. Não se generaliza sobre um país com 1.3 bilhão de habitantes, o segundo mais populoso do mundo após a China. Uma a cada seis pessoas dos 7 bilhões de habitantes da Terra é indiano.

Trata-se de um país dividido em milhares de castas, sete religiões principais e mais de 20 línguas oficiais. Para cada afirmação sobre a Índia, o oposto pode ser verdadeiro. Assim, a Índia pode ser espiritual e material, pacífica e violenta, pobre e rica, antiga e moderna.

O livro Os Indianos (Editora Contexto) foi resultado de meus quase sete anos naquele país. Durante esse tempo fui correspondente do jornal O Globo, primeiro em Mumbai ( a antiga Bombaim), capital financeira da Índia, onde vivi um ano e meio, a partir de 2006. Depois, em Nova Delhi, a capital, onde morei por cinco anos até 2012, quando voltei para o Brasil.

A história da Índia é uma das mais fascinantes do mundo: há 5 mil anos surgia uma misteriosa e sofisticada civilização, que exibia cidades planejadas. A Índia é também o país mais diverso do planeta: não é à toa que é chamado de subcontinente. Quem nasce no norte do país e fala hindi não entende uma palavra das línguas faladas no Sul. Não há uma culinária indiana: a gastronomia é tão diversa quanto as vestimentas, a literatura, os hábitos.

Eu já havia morado em outra país antes antes de ter desembarcado na Índia: passei quatro anos em Moscou, desde 1991 (cheguei alguns meses antes do fim da então União Soviética). Lá, fui correspondente do Jornal do Brasil e do serviço brasileiro da Rádio BBC. Me lembro que na época eu pensava que se tinha me adaptado ao país, com todas as suas dificuldades econômicas e sociais daquele momento de crise, eu conseguiria viver facilmente em qualquer outro lugar do mundo. Mas o teste da Índia me provou que nada seria tão simples assim.

No início, quando desembarquei em Mumbai, tive um choque cultural tão intenso que me lembro de, durante 3 meses, acordar com o coração apertado todas as manhãs. “Eu tinha tomado a decisão certa de me mudar para a Índia? Vou conseguir entender esse planeta?”, me questionava. Mas a partir do quarto mês, as coisas começaram a clarear na minha cabeça e a leitura constante de livros, jornais e revistas prepararam o terreno para a minha longa estadia.

A Índia geralmente causa um impacto imenso sobre os forasteiros, desde antes de Cristo. Lembremos dos famosos relatos de Megasthenes, embaixador grego que visitou a região no século IV a.C. Em seu relato, Indika, Megasthenes contava que tinha encontrado um país gigantesco, um sociedade com sistemas de castas, na qual honra e sabedoria eram os principais valores. A imagem da “Índia misteriosa” fascinou o Ocidente por muito tempo.

O escritor americano Mark Twain (1835-1910), que viajou um ano pelo país, descreveu “uma terra de sonhos e de romances, de fabulosa riqueza e pobreza, um lugar de centenas de línguas, de muitas religiões e milhões de deuses, mãe da História, avó da lenda, e bisavó da tradição”.

Os Indianos foi o décimo livro da coleção Povos e Civilizações, da Editora Contexto, composta de 18 volumes.  

Florência Costa

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